Concordância verbal – “Eloqüência singular”

Há uma crônica muito interessante do escritor Fernando Sabino que tem como título Eloqüência singular. Nela, um deputado, ao proferir seu discurso na Câmara, hesita diante de um caso de concordância verbal. Acompanhe conosco a agonia do parlamentar.
Logo que inicia seu discurso, o deputado se dirige ao presidente da sessão e diz: Senhor Presidente, não sou daqueles que… E aí surge a dúvida: singular ou plural? Não sou daqueles que recusa, que recuso ou não sou daqueles que recusam? Vamos ajudar o parlamentar a resolver o impasse. Se consultarmos a gramática normativa de Celso Cunha, veremos que ele faz a seguinte recomendação: o verbo que tem como sujeito um pronome relativo “que”, concorda com o termo antecedente, como na frase: Sou eu que estou na vez. Nesse caso, o verbo “estar” concorda com termo antecedente, eu. Mas, ainda de acordo com o gramático, o verbo pode fazer a concordância com o pronome demonstrativo, se não há interesse em acentuar a íntima relação entre o sujeito e o predicativo. Sendo assim, o deputado poderia ainda ter resolvido o impasse desta forma: Não sou daqueles que recusam, fazendo a concordância com o pronome daqueles. Quer dizer, ele poderia ter usado recuso ou recusam. Na crônica, porém, o deputado não avança em seu discurso e acaba sem concluir seu pensamento.

Fonte: Para gostar de ler, vol.4 – Fernando Sabino

linguaportuguesa@furb.br
(47)3321-0600

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