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Gerúndio – o que é?

A seguir vamos estar apresentando mais um fenômeno da nossa língua. Vamos estar mostrando… Você estranhou nosso início de programa? Ou você não percebeu que fizemos uso do gerúndio? É muito comum ouvirmos as pessoas usarem essa forma do verbo, em vários lugares, como empresas, telemarketing, sala de aula, entre outros. Mas como isso começou e por quê?
Na verdade, parece que o gerúndio começou a ser empregado no português do Brasil por contaminação da sintaxe inglesa. E, pelo que se sabe, tudo teve início com os serviços de telemarketing.  As pessoas traduziam de forma equivocada o inglês e acabaram passando essa forma de falar para todos com quem conversavam.  Afinal, se há algo que pega fácil é o gerúndio.
Mas falemos do uso do gerúndio no português.  Segundo a gramática normativa, a função do gerúndio é dar idéia de continuidade de uma determinada ação, como no exemplo:
Eles estão trabalhando na construção.
Agora retomemos a frase do início do programa: Vamos estar apresentando mais um fenômeno da nossa língua.  Nesse caso, não há necessidade do gerúndio, pois não há essa idéia de continuidade.  Poderíamos simplesmente dizer: Vamos apresentar mais um fenômeno da nossa língua.
Na verdade, não há nenhum pecado em aderir à moda do gerúndio, mas podemos empregar a forma que está consagrada no português para sermos mais objetivos e descomplicados.  Quanto ao texto escrito, não é aconselhável o uso contínuo e exagerado do gerúndio, pois pode prejudicar a estética do texto e torná-lo muito cansativo para o leitor.

Fonte: http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=gramatica/docs/gerundio

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Falano, comeno, cantano

Talvez você já tenha ouvido alguém dizer cantano, falano e outras palavras similares.  Hoje mostraremos a você por que esse fenômeno lingüístico ocorre.  Acompanhe conosco!
Na Lingüística, esse processo é chamado de assimilação.  E o que é isso exatamente? A assimilação é um processo que consiste em transformar um encontro de consoantes em um único som, um único fonema.  É o que ocorre quando as pessoas na hora de falar palavras terminadas em gerúndio, como falando, comendo, cantando, assimilam o D e pronunciam a palavra apenas com o N, falano, comeno.  Esse processo é algo muito comum que acontece desde o latim até hoje.  É uma tendência muito viva na língua portuguesa falada no Brasil.  Até as pessoas mais escolarizadas em situações informais ou em uma fala um pouco mais acelerada costumam pronunciar os verbos no gerúndio com a terminação –no, no lugar da terminação –ndo.  Talvez você esteja se perguntando: mas por que isso ocorre? A explicação é simples: os sons n e d pertencem a uma família de consoantes que são chamadas dentais, sendo assim produzidas no mesmo local dentro da boca.  E é por esse motivo que poderão sofrer essa assimilação.  Agora quando alguém, ou mesmo você, pronunciar as palavras dessa forma, saberá compreender que essa diferença tem uma explicação e até mesmo um nome na lingüística.

Fontes: A língua de Eulália: novela sociolingüística – Marcos Bagno
Wikipédia – http://pt.wikipedia.org/wiki

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Arcaísmos

Segue um trecho de uma crônica de Carlos Drummond de Andrade que tem como título: Antigamente.
O texto começa assim: “Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas.” Depois, há outro trecho que diz o seguinte: “Os janotas, mesmo não sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses embaixo do balaio.” Em toda a crônica, Drummond caracteriza uma época não só por seus costumes, mas também pela linguagem própria dessa época. Faz uso, portanto, de arcaísmos, palavras e expressões que caíram em desuso.  É interessante observar esse movimento constante de uma língua em uso,  em que algumas palavras são esquecidas, guardadas apenas em dicionários e outras novas vão surgindo.  Outro detalhe da crônica que talvez tenha chamado sua atenção, telespectador, é o uso de mademoiselle, palavra francesa usada como tratamento de cortesia à mulher solteira.  E por que o uso de uma palavra francesa? Porque no século dezenove e início do século vinte o francês era a língua da literatura, da cultura, enfim, da moda e influenciou muitas outras línguas, inclusive o português.

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Língua Geral

A língua geral foi a língua mais falada no Brasil até meados do século dezoito. Veremos um pouco mais do contexto em que ela era usada.
No Brasil colonial, três línguas conviviam na sociedade: o português, trazido pelo colonizador, o latim, no qual se fundava todo o ensino secundário e superior dos jesuítas, e a língua geral.  Essa língua geral recobria as línguas indígenas faladas no território brasileiro.  Embora essas línguas indígenas fossem diversificadas, provinham, em sua maioria, de um mesmo tronco, o tupi, o que tornou possível que se condensassem em uma língua comum.  No convívio social cotidiano,  por imposição das necessidades de comunicação entre os portugueses e os indígenas e entre os indígenas falantes de diferentes línguas, o que prevalecia era a língua geral.  Os jesuítas empregavam-na para a evangelização, nela escreveram peças dramáticas para a catequese.  Os bandeirantes, da mesma forma, empregavam a língua geral e com ela nomeavam a flora, a fauna, os acidentes geográficos, as povoações.  A língua geral foi ainda a língua primeira de muitas crianças, tanto dos filhos dos colonizadores, quanto dos indígenas.  Essa língua foi analisada e sitematizada pelos jesuítas, particularmente por José de Anchieta, em sua Arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil.  Em 1757, porém, o Marquês de Pombal, por meio das reformas que implantou no ensino de Portugal e de suas colônias, tornou obrigatório o ensino da língua portuguesa no Brasil, a língua da corte, proibindo o uso de outras línguas.

Fontes: O português no Brasil – Antonio Houaiss
Português na escola: história de uma disciplina curricular – Magda Soares.

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Tautologia

Você já ouviu falar na palavra tautologia? Pois bem, hoje explicaremos o significado desta palavra no português.
A tautologia surgiu na retórica com o significado de um discurso redundante, que repete a mesma idéia mais de uma vez. Quanto à origem, o termo vem do grego tautó, que significa “o mesmo”, mais logos, que significa “linguagem, proposição, definição; palavra;”. Na perspectiva da Gramática Tradicional, a tautologia pode ser considerada um sinônimo de pleonasmo ou redundância.  Em síntese, tautologia é dizer sempre a mesma coisa em termos diferentes.
Os exemplos mais clássicos são os famosos “subir para cima” ou o “descer para baixo” .
Mas, há outros, veja alguns: elo de ligação; acabamento final ; certeza absoluta ; quantia exata ; nos dia 8, 9 e 10, inclusive ; juntamente com ; expressamente proibido ; em duas metades iguais. Porém existem muitos outros casos. Para o gramático Celso Cunha, o pleonasmo só se justifica para dar ênfase a uma idéia. É isso o que ocorre de forma geral com as pessoas, elas têm como objetivo, exatamente esse, o de enfatizar o que está sendo dito, O que deveria prevalecer, portanto, é o bom senso para saber distinguir expressões que são realmente redundantes de expressões que já foram consagradas pelo uso.

Fontes: http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/707835
Gramática da Língua Portuguesa – Celso Ferreira da Cunha

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Trabaio? Não seria trabalho?

Abordaremos mais um fenômeno lingüístico, comparando palavras como trabalho e trabaio.
Muitas pessoas, principalmente as que vivem na área rural, usam uma variedade lingüística, isto é, uma forma de falar chamada de “caipira” . Essa é uma marca lingüística e cultural muito forte dessas pessoas, que pronunciam palavras como “trabaio”, “abeia”, “paia”, em lugar de “trabalho”, “abelha”, palha”. Esse fenômeno na Lingüística é chamado de palatização – a transformação do lh em i. Essa troca é uma tendência natural da língua dessas pessoas, que convivem com outras que também falam dessa maneira. Mesmo que esse modo diferente de falar, o “caipirês” é alvo de preconceito social, existe uma explicação simples para a troca do lh por i. A vogal i é muito mais fácil de ser pronunciada do que o lh, e por isso essa troca é tão freqüente. As pessoas acabam assimilando esse uso e nem percebem mais que ele é “diferente” dos outros. Outro fator determinante para essa troca é a facilidade de comunicação. Além dessa troca do lh por i, o “caipirês”, assim chamado, possui outros fenômenos sobre os quais falaremos num próximo programa.

Fonte: A Língua de Eulália – Marcos Bagno

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Linguagem da Internet

Há um assunto muito veiculado pela mídia e que vem preocupando pais e professores de língua portuguesa: a linguagem da internet.
Linguagens são códigos, e com eles nos comunicamos . Temos a língua de sinais, LIBRAS, dos surdos, os jargões dos médicos, dos advogados, dos biólogos, entre outros. E agora surgiu uma nova linguagem: a da internet, já chamada de internetês. Essa nova forma de se comunicar através dos chats, MSN e blogs começou a preocupar os gramáticos e defensores da língua quanto ao uso dessa linguagem abreviada e repleta de ícones (emoticons) em textos escritos formalmente. No entanto, esse receio parece infundado, pois o internetês, além de ser uma forma ágil, prática e econômica de comunicação, não vai substituir a escrita tradicional, que se usa na escola e em outras esferas sociais. A comunicação digital não afeta a essência da língua, pois, apesar de a linguagem mexer com a ortografia, a gramática se preserva. A linguagem é a roupa da mente: quando falamos com nossos amigos fazemos um determinado uso; já em uma entrevista de emprego ou em uma apresentação de trabalho, por exemplo, adotamos outro jeito de falar, mais formal. E assim também acontece com a internet. Além disso, estudos têm mostrado que quanto mais recursos lingüísticos dispomos, melhor os usamos em cada ocasião. Por isso, é importante que os professores instruam os alunos a usar essa ferramenta em situações adequadas. Como lembra a escritora Lya Luft, em seu artigo publicado na Revista Veja: “É preciso dar uma chance às novidades e inovações, em lugar de criticar (…) como se tudo o que é novo fosse primariamente mau”.

Fonte: Revista Veja, 12 de setembro de 2007.

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