Posts Tagged 'acordo ortográfico'

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa VII

Uma das principais mudanças na ortografia será o fim dos acentos, em ditongos abertos ói e éi, em palavras paroxítonas, como: heróico, idéia, assembléia. Esses acentos funcionam somente para indicar como as palavras devem ser pronunciadas. O erro está em acreditar que eles surgiram antes da linguagem falada, e não como decorrência dela e que, por isso, sua ausência pode levar à modificação da pronúncia. “A pronúncia das palavras não vai mudar por causa de uma reforma ortográfica”. Por isso continuaremos pronunciando os ditongos abertos ói e éi, só não marcaremos mais esse som ou essa pronúncia aberta na escrita. É interessante lembrar que outras palavras, já tratadas aqui, também perderão seu acento, veja: enjôo, vôo, entre outras.
Muita coisa poderá mudar na escrita, porém nossa forma de comunicação e de pronúncia não mudarão por causa disso, isso é o essencial que se saiba.

Fonte: Folha de São Paulo

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Diferenças regionais ou geográficas no uso do português

Veja alguns exemplos das diferenças de vocabulário, de palavras empregadas no português do Brasil e no português de Portugal. Aspectos que não entrarão em vigor com o novo acordo ortográfico, uma vez que ele diz respeito à unificação da escrita, mas não às diferenças regionais ou geográficas no uso da língua.
Enquanto aqui no Brasil usamos a palavra favela, os portugueses além-mar usam a expressão bairro de lata. Aqui falamos banheiro, em Portugal, casa de banho ou quarto de banho. Para nós a goma de mascar é o chiclete, para os portugueses, pastilha elástica. No avião, chamamos a comissária de bordo ou aeromoça, enquanto em Portugal se chama a hospedeira. Em Portugal, emprega-se fato de banho para o que chamamos de maiô. Quando usamos o computador, falamos em abrir um arquivo, em Portugal, abre-se um ficheiro. Essas diferenças decorrem, entre outros fatores, das influências que cada região sofreu durante sua formação. Outro aspecto que precisamos salientar é que o português trazido pelos colonizadores não era uma língua uniforme, isto é, já havia variedades na língua de acordo com os falantes. Com o uso, o português aqui do Brasil foi se modificando e recebendo influências de outras línguas, as línguas indígenas, as línguas africanas e as línguas de imigração. Por isso a língua portuguesa que falamos hoje no Brasil, e a falamos de variadas formas, tem sido chamada de português brasileiro, para distinguir do português de Portugal. É bom lembrar que o acordo ortográfico visará à unificação da escrita e não de outros aspectos da língua.
Quanto mais conhecemos as variedades de nosso idioma, maior será nossa competência comunicativa.

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Acordo ortográfico da língua portuguesa VI

O acordo, como o próprio nome deixa claro, abrange apenas a ortografia, isto é, a escrita correta das palavras. Naturalmente, uma unificação que pretendesse atingir, por exemplo, o vocabulário, o léxico da língua, não seria bem sucedido, pois aí entraríamos no campo das diferenças regionais ou geográficas no uso da língua. Você certamente já observou que existem palavras diferentes para se dizer a mesma coisa, dependendo da região de quem fala. Por exemplo, em certas regiões do Rio Grande do Sul se usa a palavra guisado para se referir à carne moída. Em localidades do Nordeste, se usa a palavra macaxeira, para aquilo que chamamos de aipim ou de mandioca. Aqui na região, por influência do alemão, usamos a palavra chimíer, para designar geléia. Temos ainda o verbo chimiar, no sentido de preparar o pão, passando manteiga ou geléia. Essas diferenças decorrem, entre outros fatores, das influências que cada região sofreu durante sua formação e pelo fato de uma região constituir uma comunidade lingüística geograficamente limitada.
Essas diferenças vocabulares refletem o uso vivo da língua em diferentes regiões.

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Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa V

Para quando está previsto?

Uma comissão do MEC, o Ministério da Educação, elaborou uma proposta para que a reforma ortográfica da língua portuguesa comece a ser implantada no Brasil a partir do dia 1º de janeiro de 2009. A proposta da Colip, Comissão para Definição da Política de Ensino-Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa, ainda tem que ser submetida ao ministro da educação, aos ministérios da Cultura e das Relações Exteriores e à Presidência da República. A comissão prevê um prazo de três anos para a transição entre a ortografia atual e a prevista pelo acordo. Nesse intervalo, as duas normas vigorariam. Para essa comissão, a partir do dia 31 de dezembro de 2011, todos os livros didáticos, provas para concurso e vestibulares teriam que estar submetidos às novas regras. O MEC já exigiu que livros didáticos e outras obras enviadas às escolas públicas estejam adequadas às mudanças em 2010. O projeto da comissão prevê ainda a elaboração de um vocabulário da língua portuguesa no Brasil de acordo com as novas regras. Ele seria produzido pela Academia Brasileira de Letras, em conjunto com especialistas dos outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Mas é importante ressaltar que por enquanto são apenas previsões, só depois de ampla divulgação pelo MEC é que se poderá afirmar que o acordo começará a ser implantado em 2009.

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Acordo ortográfico da língua portuguesa IV

Já falamos em outros programas que o trema deixa de ser empregado, mas isso não muda a pronúncia das palavras, que palavras como abençoo, enjoo, e verbos como leem, creem, deixam de ser acentuados. Outra mudança da qual tratamos é relacionada àquele tipo de acento empregado para distinguir palavras que têm a mesma grafia, como a forma verbal pára que deixa de ser acentuada. Com a reforma, vamos escrever tanto a preposição para como o verbo para da mesma forma. O contexto é que dirá se temos um verbo ou uma preposição. O uso do acento diferencial já tinha sido abolido em muitos casos com a última reforma ortográfica ocorrida no Brasil em 1971, quando, por exemplo, passou-se a grafar ele, aquele, sem acento circunflexo. Mesmo com a reforma atual, permanece o acento diferencial em outros casos, como na forma verbal pôde para diferenciar de pode. Veja os exemplos: Ele pôde realizar o exame ontem. Aqui temos o verbo poder empregado no pretérito perfeito, com acento circunflexo. Já em ele pode realizar o exame agora, o verbo poder está no presente, sem acento, portanto.
Envie suas dúvidas a respeito de outras mudanças previstas no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

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Acordo ortográfico da língua portuguesa III

Uma das modificações propostas pela reforma é a abolição definitiva do trema. Naturalmente ninguém vai ter de falar linguiça em vez de lingüiça, pois as mudanças atingirão apenas a grafia, a escrita das palavras, mas não a sua pronúncia. Outra mudança está relacionada ao acento diferencial, isto é, aquele tipo de acento empregado para distinguir palavras que têm a mesma grafia nas palavras chamadas homógrafas. A forma verbal pára, por exemplo, deixa de ser acentuada. Com isso vamos escrever tanto a preposição para como o verbo para da mesma forma. Veja os exemplos: O funcionário foi transferido para São Paulo. Neste caso, a palavra para é uma preposição, portanto não tem acento. Pára com isso, menino! Aqui temos o imperativo do verbo parar, que atualmente tem acento, para diferenciar do para preposição. Com a reforma, ambas as palavras serão escritas da mesma maneira: sem acento. O contexto é que dirá se temos um verbo ou uma preposição.

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Acordo ortográfico da língua portuguesa II

Vamos falar mais um pouco sobre o acordo ortográfico da língua portuguesa, uma vez que, ao entrar em vigor, ele atingirá todos nós que lidamos com textos escritos diariamente.
Pois é, depois que o conselho de ministros de Portugal aderiu ao acordo ortográfico, no último dia seis de março, a reforma ficou mais próxima. Na verdade, ela já deveria estar valendo, uma vez que o Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe já o aprovaram. Pois, para que o acordo entrasse em vigor era necessário que no mínimo três membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa aderissem a ele, conforme decisão tomada pela Comunidade em 2004. Naturalmente todos os países esperavam a adesão de Portugal, o país que levou sua língua às suas então colônias.
As mudanças advindas da reforma atingem apenas 600 palavras entre as cerca de 110.000 palavras da língua portuguesa, isto é, 0,54% do vocabulário, no caso do Brasil. Em Portugal, as alterações atingem 1,6 % do léxico.
Bem, provavelmente será estipulado um prazo pelo nosso governo para a transição entre a ortografia atual e a nova. Enquanto isso, vamos nos preparando. Algumas das mudanças estão relacionadas à acentuação, como o que ocorre com esse grupo de palavras, veja: enjôo, vôo, vêem, crêem, que recebiam acento circunflexo na primeira vogal dos hiatos. Com a reforma, esses vocábulos deixam de ser acentuados. Veja que o objetivo é a simplificação da grafia.

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