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Erro? O que é erro?

A definição de erro é um problema complexo, e não apenas uma questão de norma gramatical da língua escrita.  Pois bem, o modelo de língua da gramática normativa é baseado nos exemplos clássicos da literatura, e não no uso efetivo que os falantes fazem da língua.  Dessa forma, erro para a gramática normativa é todo uso lingüístico que foge desse modelo, desse padrão.  No entanto, se considerarmos os usos reais que os falantes fazem da língua em situações diversas, se considerarmos os diferentes modos de falar, veremos que a noção de erro da gramática normativa não se sustenta, pois não existe apenas a língua padrão.  Seria mais coerente se em vez de falarmos em certo e errado, falássemos em adequado e inadequado.  Determinadas formas de uso estão adequadas para determinados lugares e inadequadas para outros.  Quem está numa reunião de trabalho, certamente sabe que não é adequado falar com os colegas como se estivesse numa mesa de bar com os mesmos colegas.  Um professor na sala de aula faz um uso da língua diferente daquele uso que faz quando está em casa com a família.  Numa entrevista de emprego, é preciso que a pessoa seja clara e objetiva, pois se sabe que a forma como a língua é utilizada passa uma imagem positiva ou negativa do falante.
Por tudo isso, parece complicado julgarmos alguém por falar errado, pois quando fazemos um julgamento desse tipo, estamos apenas levando em conta a noção de erro da gramática normativa.  No entanto, a língua viva vai muito além desse padrão. O importante é perceber o que é adequado e o que é inadequado para cada situação comunicativa.

Fontes: Dicionário Eletrônico Houaiss.
Por que (não) ensinar gramática na escola – Sírio Possenti.

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Erro? Podemos dizer que alguém fala errado e por quê?

Você já pensou na força que as palavras erro e errado possuem? O que pensa uma criança na escola que ouve o professor repreendê-la por falar “errado”? Será que realmente está errado?
Na verdade, a Gramática Tradicional gerou uma noção folclórica de erro.  Para a gramática e para muitos gramáticos, tudo o que não estiver de acordo com a gramática normativa é errado .
É interessante nos lembrarmos de um exemplo que o lingüista Marcos Bagno usa e que cabe muito bem para explicar a noção de erro . Ele compara a gramática tradicional a um sapatinho de cristal.  O que muitos gramáticos querem é que as pessoas usem o sapatinho de cristal para tudo: correr, ir ao mercado, ir à praia e para todo o resto . O mesmo se aplica à gramática, o que se quer é que as pessoas falem todo o tempo de acordo com suas regras e normas, regras essas que muitas vezes não cabem para o local e a situação em que estamos . Pois bem, o grande problema com essa noção ultrapassada de erro é que, como os estudos lingüísticos modernos têm revelado, simplesmente não existe erro em língua . Existem, sim, formas de uso da língua diferentes que divergem da tradição gramatical.
Sendo assim, a criança que o professor repreende por falar errado, na verdade só está usando uma variedade lingüística diferente da variedade padrão . Naturalmente não estamos querendo dizer que não se deva ensinar o padrão da língua . Queremos apenas enfatizar que a linguagem da criança precisa ser respeitada e que, na escola, ela tenha acesso à norma padrão de maneira crítica.

Fonte: Português ou Brasileiro: um convite à pesquisa – Marcos Bagno

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