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Concepções de Gramática

Provavelmente, a maioria de nós já ouviu falar da Gramática Normativa, que é a gramática utilizada nas escolas para o ensino da Norma Padrão do Português. Para essa gramática, a língua é só a variedade padrão, ou seja, aquela baseada nos escritores clássicos da nossa literatura. Mas não é apenas essa gramática que existe, temos outras, menos conhecidas e, também, pouco comentadas. Gramáticas Descritivas, por exemplo,  são as que procuram descrever as regras utilizadas pelos falantes da língua na comunicação.  Uma gramática descritiva analisa as regras que são seguidas pelas pessoas ao falarem em situações reais de interação.  Além desses dois tipos de gramática, existe ainda a Gramática Internalizada, que é a gramática que toda pessoa que fala uma língua possui.  Ela permite ao usuário construir um número infinito de frases e produzir textos com diferentes objetivos e em diferentes situações de comunicação.  É sempre bom lembrar que a gramática normativa não é a única gramática existente, e que todas as pessoas conhecem a gramática da sua língua mesmo que não saibam explicar as regras passadas pela escola, da gramática normativa.

Fonte: Um novo olhar para velhas concepções – Professor Mestre Víctor César da Silva Nunes
Por que (não) ensinar gramática na escola – Sírio Possenti

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Erro? Podemos dizer que alguém fala errado e por quê?

Você já pensou na força que as palavras erro e errado possuem? O que pensa uma criança na escola que ouve o professor repreendê-la por falar “errado”? Será que realmente está errado?
Na verdade, a Gramática Tradicional gerou uma noção folclórica de erro.  Para a gramática e para muitos gramáticos, tudo o que não estiver de acordo com a gramática normativa é errado .
É interessante nos lembrarmos de um exemplo que o lingüista Marcos Bagno usa e que cabe muito bem para explicar a noção de erro . Ele compara a gramática tradicional a um sapatinho de cristal.  O que muitos gramáticos querem é que as pessoas usem o sapatinho de cristal para tudo: correr, ir ao mercado, ir à praia e para todo o resto . O mesmo se aplica à gramática, o que se quer é que as pessoas falem todo o tempo de acordo com suas regras e normas, regras essas que muitas vezes não cabem para o local e a situação em que estamos . Pois bem, o grande problema com essa noção ultrapassada de erro é que, como os estudos lingüísticos modernos têm revelado, simplesmente não existe erro em língua . Existem, sim, formas de uso da língua diferentes que divergem da tradição gramatical.
Sendo assim, a criança que o professor repreende por falar errado, na verdade só está usando uma variedade lingüística diferente da variedade padrão . Naturalmente não estamos querendo dizer que não se deva ensinar o padrão da língua . Queremos apenas enfatizar que a linguagem da criança precisa ser respeitada e que, na escola, ela tenha acesso à norma padrão de maneira crítica.

Fonte: Português ou Brasileiro: um convite à pesquisa – Marcos Bagno

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