Posts Tagged 'origem de expressões'

Lato Sensu e Stricto Sensu

Lato sensu é, literalmente, em sentido largo, amplo. Opõe-se a stricto sensu que significa em sentido restrito. De acordo com o Prof. Dr. Cláudio Moreno, essas expressões servem para ampliar ou estreitar o âmbito de abrangência de um determinado conceito. Há sociólogos, por exemplo, que distinguem a “família lato sensu”, que engloba todos os ascendentes e descendentes de um cidadão, da família “stricto sensu”, que se refere apenas à célula formada pelos dois cônjuges e seus filhos. Há estudiosos que falam da “jurisprudência lato sensu”, isto é, o conjunto de todas as decisões jurisdicionais e da “jurisprudência stricto sensu”, ou seja, as decisões aplicáveis a um determinado tipo de caso. Essas expressões também são usadas na pós-graduação, nesse caso, para distinguir os cursos stricto sensu, ou seja, o mestrado e o doutorado, dos cursos lato sensu, que são os de especialização. Quanto à escrita, sempre que se emprega uma expressão latina, é recomendável grafá-la em itálico.

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Expressão latina “A posteriori”

Assim como seu oposto a priori, a posteriori faz parte de uma expressão maior, que significa por um raciocínio posterior à experiência, indicando que se trata de um raciocínio baseado no que veio depois. Num raciocínio a posteriori, é preciso apoiar-se em fatos obtidos pela observação ou pelo experimento. Veja a frase: Quem culpa uma pessoa sem avaliar os fatos que motivaram seu comportamento, pode descobrir, a posteriori, que cometeu uma injustiça. Nesse contexto, a posteriori tem o sentido de após exame, análise, verificação. Se você quiser ir além, veja as acepções dessa expressão no campo da Filosofia, por exemplo, citadas pelo dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

Fontes:
http: http://www.sualingua.com.br
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

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“Dois bicudos não se beijam” e “Dois bicudos não se bicam”

Esta é uma expressão que já foi muito usada, mas hoje está sumindo, é a expressão “dois bicudos não se beijam” que tem como variante “dois bicudos não se bicam”.
Você pode pensar que bicudo se refere a quem tem bico, como as aves, não é mesmo? Mas essa expressão não tem nada a ver com aves. Desde o começo do século 19, eram comuns no Nordeste umas facas estreitas, compridas e muito pontudas, chamadas de bicudas, também apelidadas de “lambedeiras”ou “pernambucanas”. Quem usava uma bicuda era chamado de bicudo, termo também empregado para definir alguém zangado, mal-humorado, irritado. Então quando dois bicudos se encontravam, é claro que tudo poderia acontecer, menos qualquer demonstração de afeto como um beijo. A expressão acabou se espalhando pelo Brasil inteiro.

facas estreitas, compridas e muito pontudas, também apelidadas de “lambedeiras”ou “pernambucanas”.

BICUDAS: facas estreitas, compridas e muito pontudas, também apelidadas de “lambedeiras”ou “pernambucanas”.

Fontes:
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

O guia dos curiosos: língua portuguesa – Marcelo Duarte

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Cabra da Peste

Falar sobre origem das expressões de nossa língua é falar sobre o Brasil. Em novelas, filmes, quando falamos com nordestinos, é comum ouvirmos a expressão “cabra de peste”. Mas de onde vem esta expressão?
Cabra veio do latim capra, a fêmea do bode, mas ganhou no Brasil o sentido de mestiço de mulato e negro e, por extensão, o de indivíduo valentão e o de cangaceiro depois. A expressão cabra é o mesmo que “sujeito”, “pessoa”, no Nordeste. Doença é chamada de “Peste”. Quando um “cabra” contrai uma “peste”, todos se afastam com medo de serem contaminados. Então as expressões “cabra da peste” e também “cabra da moléstia” são usadas para um sujeito que é muito violento e por causa disso coloca medo nas pessoas, que se afastam dele.
Essa expressão também é usada como referência a homens valentes e merecedores de admiração. Existem ainda outras expressões com a palavra cabra no Nordeste, como “cabra macho” como um elogio e “cabra da rede rasgada” que significa “uma pessoa insolente, malcriado”.
Um país grande como o Brasil possui muitas expressões que denotam a riqueza de nossa cultura.

Fontes:
A casa da mãe Joana – Reinaldo Pimenta

O guia dos curiosos: língua portuguesa – Marcelo Duarte

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

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Custar os olhos da cara

A expressão é a velha e boa “custar os olhos da cara”. Essa frase tem origem num costume bárbaro de tempos antigos. Os olhos e a visão de uma pessoa eram tidos como muito valiosos. Por isso era comum que aquelas pessoas perigosas,  tivessem os olhos arrancados ou vazados,  para que não fossem mais uma ameaça.
Governantes depostos, prisioneiros de guerra, outros tipos de inimigos e a escória em geral tinham os olhos arrancados ou vazados,  os vitoriosos achavam que desse modo os derrotados teriam pouca chance se vingar. Ainda vale lembrar que existe a lenda de Édipo, que arrancou os próprios olhos depois de descobrir que havia matado o pai e se casado com a mãe. A expressão chegou até nós com o sentido de algum preço muito alto, assim como perder os olhos

Fonte: O guia dos curiosos – Marcelo Duarte

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