Posts Tagged 'preconceito lingüístico'

Frexa, ingrês? Qual o nome desse fenômeno?

Como havíamos comentado em nosso programa anterior, é muito comum a ocorrência de palavras como: Frecha, pranta, probrema, no falar de algumas pessoas. Vimos, também, que isso era comum no português antigo, utilizado inclusive pelo grande poeta Luís de Camões. Veja alguns de seus versos: “Doenças, frechas e trovões ardentes”
“Nas ilhas de Maldiva nasce a pranta”
Naquela época, porém, o poeta não era recriminado e muito menos caçoado por isso, pelo contrário. E o que ocorreu com essas palavras? Com o tempo, na tentativa de aproximar o português padrão do latim, essas palavras começaram a ser faladas com L. Porém, é importante entender que na realidade há uma explicação científica para esse fenômeno . A lingüística, que é a ciência que estuda os fenômenos relacionados com a fala, com o objetivo de descrevê-los sem ridicularizá-los, chama isso de rotacismo. Existe na língua portuguesa, uma tendência natural de transformar em R o L dos encontros consonantais. O rotacismo acontece em diversas regiões do Brasil, onde é muito comum essa troca.
Queremos, com esses esclarecimentos, mostrar que nem tudo o que ouvimos e que não está de acordo com a gramática normativa ou com a norma padrão da língua deve ser considerado erro ou, pior, ignorância de quem fala, afinal tudo pode ser explicado e compreendido cientificamente.

Fontes: A Língua de Eulália – Marcos Bagno
http://www.marcosbagno.com.br
http://www.tvcultura.com.br/aloescola

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Todos que falam SABEM falar

Há um preconceito que já está arraigado na maioria dos falantes, o preconceito lingüístico. Quantas vezes ouvimos dizer que muitas pessoas não sabem falar?
Se formos analisar a fundo essa afirmação, notaremos que isso é um grande equívoco.
O que acontece, na verdade, é que os grupos que falam uma língua de uma determinada maneira, em geral, julgam a fala dos outros a partir da sua e acabam considerando que essa diferença é um defeito ou um erro. Daí pensarmos, geralmente, que os outros não sabem falar. Ou, ainda pior, acabarmos convencidos de que nós não sabemos falar, se falamos de uma forma um pouco diferente daqueles que são para nós os modelos de comportamento lingüístico. O preconceito é muito maior e pior quando se refere a uma mesma língua, do que na comparação de uma língua com outras. Costumamos aceitar que quem fala outra língua fala diferente, mas não aceitamos que os que falam (ou deveriam falar) a mesma língua falem de maneira diferente. Mas se voltarmos à questão do início do programa, chegaremos a uma conclusão óbvia: todos que falam sabem falar. Pode até ser que as pessoas falem de formas diferentes e que certas características do modo de falar dessas pessoas pareçam desagradáveis ou engraçadas, mas isso não quer dizer, de maneira nenhuma, que não sabem falar. Afinal as pessoas falam o tempo todo, mesmo que sejam crianças, mesmo que não tenham escolaridade, todos falam e são compreendidos, portanto sabem português e sabem falar. É claro que falarão como se fala nos lugares em que eles nascem e vivem, e não como se fala em outros lugares.
O importante é conseguirmos compreender os fenômenos lingüísticos e não apenas julgar de forma preconceituosa.

Fonte: Por que (não) ensinar gramática na escola – Sírio Possenti

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Norma Padrão X Lingüística

A Lingüística é uma ciência recente e pouco conhecida, a ciência da linguagem.
É importante lembrar que a norma padrão foi imposta pensando-se numa pequena elite de falantes considerados cultos.
Mas quando a gramática e a norma padrão foram implantadas não foi levado em consideração que a língua muda muito rapidamente e, por isso, a gramática não consegue (ou não quer) acompanhar essas mudanças. Para estudar esse foco, existe uma ciência maior, uma ciência chamada lingüística. Essa ciência explica as mudanças e as diferenças na língua falada, sim, diferenças e não erros, como as gramáticas se limitam a enxergar.
É muito comum perceber essas diferenças, dentro de um único estado, dependendo da região, a forma de falar muda. Por exemplo: No extremo oeste catarinense os falantes utilizam a variedade bergamota para referir-se a tangerina que conhecemos aqui. Sem contar que, ao encontrarmos um falante daquela região, percebemos logo, pela forte marcação no final das palavras. Como: leite em vez de leiti, quente em vez de quenti. As variações, como essa da regionalidade,  são muitas e podem ocorrer outras por tantos outros motivos – grupo social, grau de escolarização do falante, da idade, entre outros. Por isso afirmar que alguém fala errado e que não sabe português é uma forma de preconceito, mais claramente preconceito lingüístico. Isso não nos desobriga de saber adequar a nossa linguagem ao lugar em que estamos (ou seja, uma fala formal e informal) que também é muito importante saber.

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