Posts Tagged 'fenômeno lingüístico'

Trabaio? Não seria trabalho?

Abordaremos mais um fenômeno lingüístico, comparando palavras como trabalho e trabaio.
Muitas pessoas, principalmente as que vivem na área rural, usam uma variedade lingüística, isto é, uma forma de falar chamada de “caipira” . Essa é uma marca lingüística e cultural muito forte dessas pessoas, que pronunciam palavras como “trabaio”, “abeia”, “paia”, em lugar de “trabalho”, “abelha”, palha”. Esse fenômeno na Lingüística é chamado de palatização – a transformação do lh em i. Essa troca é uma tendência natural da língua dessas pessoas, que convivem com outras que também falam dessa maneira. Mesmo que esse modo diferente de falar, o “caipirês” é alvo de preconceito social, existe uma explicação simples para a troca do lh por i. A vogal i é muito mais fácil de ser pronunciada do que o lh, e por isso essa troca é tão freqüente. As pessoas acabam assimilando esse uso e nem percebem mais que ele é “diferente” dos outros. Outro fator determinante para essa troca é a facilidade de comunicação. Além dessa troca do lh por i, o “caipirês”, assim chamado, possui outros fenômenos sobre os quais falaremos num próximo programa.

Fonte: A Língua de Eulália – Marcos Bagno

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Frexa, ingrês? Por que isso ocorre?

Freqüentemente ouvimos pessoas pronunciarem as palavras probrema, frecha, pranta e, na maioria das vezes, rimos dessas pessoas desqualificando sua fala, considerando-as ignorantes. Ou então pensamos, pobres coitados, não sabem português e falam tudo errado. Pois bem, para entendermos o fenômeno lingüístico presente nesses usos, analisemos outras palavras, consideradas certas pela nossa gramática normativa e pelo português padrão, veja : Igreja, praia, frouxo, escravo.
Se formos buscar a origem dessas palavras no latim e até mesmo em outras línguas, descobriremos algo muito interessante. Acompanhe conosco : Ecclesia virou igreja, plaga virou praia, sclavu virou escravo, fluxu virou frouxo. Todas essas palavras eram escritas com L que virou R no português padrão. Vejamos agora outras palavras: Frexa, ingrês, pranta, pruma. Se formos consultar a literatura, descobriremos que o grande Luís de Camões usava, em seus versos, exatamente essas palavras. Mas será que ninguém disse para ele que isso estava errado? Ou será que não estava? Na verdade, na época de Camões essas palavras eram escritas e pronunciadas exatamente dessa forma, porém poderiam, também ser pronunciadas com L, pois havia as duas formas e quem fosse utilizar essas palavras poderia escolher entre a forma com L ou com R. Provavelmente, hoje, essas palavras são escritas com L por convenção ou até por tentativa de aproximação com o latim, como sugere o lingüista e professor Marcos Bagno, para legitimar e dar status a essa forma de escrita.

Fontes: A Língua de Eulália – Marcos Bagno
http://www.marcosbagno.com.br
http://www.tvcultura.com.br/aloescola

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