Letramento

Um dos fatores que levam ao surgimento de novas palavras na língua é a necessidade de se nomear algo novo, seja um invento, uma idéia, um fenômeno. Hoje falaremos de um vocábulo que tem sido empregado com freqüência nos últimos anos, principalmente na esfera da educação, é o letramento.
Para explicarmos o sentido dessa palavra e o seu surgimento, recorremos à Profa. Dra. Magda Soares. De acordo com a pesquisadora, à medida que um número cada vez maior de pessoas aprende a ler e a escrever, que o analfabetismo vai sendo superado, um novo fenômeno se evidencia: não basta aprender a ler e a escrever. Muitas vezes as pessoas se alfabetizam, mas não se envolvem com práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, não lêem livros ou jornais, não preenchem formulários, não redigem cartas ou e-mails… No entanto percebemos que nossa sociedade está cada vez mais centrada na escrita, daí a necessidade de as pessoas incorporarem as práticas de leitura e de escrita.  Esse novo fenômeno que surgiu foi nomeado de letramento que é, portanto, o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever, ou seja, foi alfabetizado, mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita. Certamente quanto mais cultivarmos essas práticas, maior poderá se tornar nossa compreensão do que está em nossa volta e nossa participação na sociedade.

Fonte: Letramento: um tema em três gêneros – Magda Soares

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Chegado/Chego, Trazido/Trago

Dia desses alguém disse: Devíamos ter trago o som junto.  Daí surgiu a dúvida: devíamos ter trago? Não seria trazido? A moderna gramática portuguesa, do professor Bechara, traz uma lista de verbos que admitem dois particípios, o particípio regular e o irregular.  Porém existem verbos, que segundo a gramática normativa, admitem apenas um particípio, como é o caso dos verbos chegar com o particípio chegado  e trazer com o particípio trazido, que são empregados com os verbos ter e haver nos tempos compostos.  Veja: Nós havíamos chegado à festa.  No entanto, são cada vez mais comuns construções com formas irregulares, inclusive com verbos que não possuem a forma irregular, como é o caso de chegado-chego e trazido-trago.  Isso ocorre porque as pessoas associam esses verbos com aqueles que possuem a forma irregular e acabam utilizando essa forma reduzida.  Daí o porquê de as pessoas fazerem esse uso, como o que aconteceu com o verbo trazer na frase que citamos no início do programa: Devíamos ter trago o som junto.  Com o verbo chegar, já ouvimos o uso do particípio chego inclusive em programas de televisão, como por exemplo: O resultado já devia ter chego.  Embora o uso dos particípios trago e chego não estejam registrados nas gramáticas normativas, é cada vez mais comum esse emprego.

Fonte: Gramática da Língua Portuguesa – Evanildo Bechara

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Demais e de mais

Quem nunca ouviu falar de demais junto e de mais separado? Bem, hoje vamos explicar um pouco essa diferença.
A nossa língua traz algumas curiosidades na sua bagagem, dentre elas estão as diferentes formas de uso de demais.  Talvez quem use a linguagem da Internet diria que basta escrever um D e o sinal de mais, para que se entenda o que está sendo dito.  Mas na nossa gramática temos duas formas de escrever a expressão de mais.  O uso dessas formas dependerá do contexto em que estão sendo empregadas.  E saber empregar essas formas é importante na hora da escrita.  Vejamos:  Demais, junto, pode ser advérbio, com o significado de muito, extremamente.  Na maioria das vezes acompanha um verbo ou um adjetivo.
Veja o exemplo: Ele é pobre demais.
A palavra demais pode ser usada também, para explicar algo, como uma conjunção explicativa, porém não é muito comum esse uso.  Vejamos o exemplo: Ela não lhe interessa; demais, não conseguiria conquistá-la.  Outro uso, que é o mais comum, é a palavra demais com o significado de “os restantes”  Veja o exemplo para que fique mais claro: Alguns alunos foram para casa, os demais assistiram à aula.  Já a expressão de mais, separada, funciona como adjetivo, uma vez que é uma expressão adjetiva, formada pela preposição ‘de’ e o pronome indefinido, ‘mais’. De mais, é portanto, o contrário de de menos.  Veja o exemplo: Aquelas crianças falaram que não fizeram nada de mais.

Fonte: Revista Língua Portuguesa, número 2, ano 2005.

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Como nascem as gírias?

As gírias são palavras que acabam ganhando um jeito “novo” de serem chamadas e reconhecidas.  Vários são os modos pelos quais as gírias se formam e são introduzidas no cotidiano social.  Vejamos alguns deles:  O jargão é a linguagem técnica de uma determinada área profissional, seja da economia, da medicina ou outras.  Essa linguagem contribui para o surgimento de gírias, pois cada profissional usa palavras próprias de sua temática, de seu trabalho, que pessoas leigas geralmente desconhecem.  Já os ditados, expressões populares e regionalismos, expressam a cultura de cada povo e grupo social, introduzindo-a na linguagem cotidiana.  As gírias nascem também por influência dos modismos que são veiculados na tevê, especialmente na área da publicidade.  As gírias em geral são facilmente entendidas, pois são introduzidas gradualmente em nosso meio.  No entanto, para pessoas que não estão habituadas a usar determinadas variedades, o significado de algumas gírias pode ser difícil de ser interpretado.  Acompanhe conosco este exemplo dito por um jovem: Vou mandar um “torpedo” para uma “mina”!  Imagine que reação poderia ter uma pessoa que não conhece essa variedade, ao ouvir falar em torpedo e mina.  Nessa frase, torpedo significa mensagem e mina significa menina, moça.  As gírias servem, de certa forma, para personalizar o jeito como chamamos algo, deixando-o na “moda”. Elas chegam como uma novidade, transformam-se em expressão corriqueira e por fim algumas acabam sendo incorporados pelo dicionário, para não caírem no total esquecimento.
Fonte: http://www.overmundo.com.br – Autor: Antonio Brás Constante

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Gírias antigas X atuais

Quem nunca fez uso de gírias?  Vamos procurar entender como surgem as gírias e que função elas têm na comunicação.
Gíria é uma expressão que, segundo o dicionário Houaiss, significa linguagem informal caracterizada por um vocabulário rico, passageiro e temporário.  É um dialeto usado por determinado grupo de pessoas que busca se destacar através de características particulares e marcas lingüísticas, funcionando como um mecanismo de integração dos membros do grupo e como exclusão dos que não pertencem a esse grupo.  Justamente por seu caráter temporário, muitas gírias já foram usadas no Brasil, mas são, hoje, pouco conhecidas entre as gerações mais jovens.  Isso acontece, pois a língua muda, se transforma, surgem novas palavras e outras deixam de ser usadas.  Algumas gírias foram substituídas, outras assumiram um novo significado.  Vejamos alguns exemplos de gírias antigas e de gírias novas que as substituíram: Pão, Broto, Chuchu já foram gírias utilizadas para elogiar a beleza de um rapaz ou de uma moça.  Hoje, os jovens usam gato gata, gatinho gatinha.  Outras gírias e expressões, com o passar do tempo, adquiriram um novo significado, um outro sentido.  Vejamos alguns exemplos.  O significado da palavra balada foi invertido.  Tradicionalmente, “balada” era uma palavra que se referia tanto a uma música lenta quanto a uma história triste. Em meados de 1997, a “mídia dance” começou a denominar “balada” uma festa moderna ou qualquer festa noturna dos jovens atuais.  O mesmo aconteceu com a palavra “babado”, que era tradicionalmente utilizada para designar “problema” e hoje, passou a ser usada com o sentido de “fofoca, notícia”.

Fontes: Dicionário Eletrônico Houaiss.

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Erro? O que é erro?

A definição de erro é um problema complexo, e não apenas uma questão de norma gramatical da língua escrita.  Pois bem, o modelo de língua da gramática normativa é baseado nos exemplos clássicos da literatura, e não no uso efetivo que os falantes fazem da língua.  Dessa forma, erro para a gramática normativa é todo uso lingüístico que foge desse modelo, desse padrão.  No entanto, se considerarmos os usos reais que os falantes fazem da língua em situações diversas, se considerarmos os diferentes modos de falar, veremos que a noção de erro da gramática normativa não se sustenta, pois não existe apenas a língua padrão.  Seria mais coerente se em vez de falarmos em certo e errado, falássemos em adequado e inadequado.  Determinadas formas de uso estão adequadas para determinados lugares e inadequadas para outros.  Quem está numa reunião de trabalho, certamente sabe que não é adequado falar com os colegas como se estivesse numa mesa de bar com os mesmos colegas.  Um professor na sala de aula faz um uso da língua diferente daquele uso que faz quando está em casa com a família.  Numa entrevista de emprego, é preciso que a pessoa seja clara e objetiva, pois se sabe que a forma como a língua é utilizada passa uma imagem positiva ou negativa do falante.
Por tudo isso, parece complicado julgarmos alguém por falar errado, pois quando fazemos um julgamento desse tipo, estamos apenas levando em conta a noção de erro da gramática normativa.  No entanto, a língua viva vai muito além desse padrão. O importante é perceber o que é adequado e o que é inadequado para cada situação comunicativa.

Fontes: Dicionário Eletrônico Houaiss.
Por que (não) ensinar gramática na escola – Sírio Possenti.

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Concepções de Gramática

Provavelmente, a maioria de nós já ouviu falar da Gramática Normativa, que é a gramática utilizada nas escolas para o ensino da Norma Padrão do Português. Para essa gramática, a língua é só a variedade padrão, ou seja, aquela baseada nos escritores clássicos da nossa literatura. Mas não é apenas essa gramática que existe, temos outras, menos conhecidas e, também, pouco comentadas. Gramáticas Descritivas, por exemplo,  são as que procuram descrever as regras utilizadas pelos falantes da língua na comunicação.  Uma gramática descritiva analisa as regras que são seguidas pelas pessoas ao falarem em situações reais de interação.  Além desses dois tipos de gramática, existe ainda a Gramática Internalizada, que é a gramática que toda pessoa que fala uma língua possui.  Ela permite ao usuário construir um número infinito de frases e produzir textos com diferentes objetivos e em diferentes situações de comunicação.  É sempre bom lembrar que a gramática normativa não é a única gramática existente, e que todas as pessoas conhecem a gramática da sua língua mesmo que não saibam explicar as regras passadas pela escola, da gramática normativa.

Fonte: Um novo olhar para velhas concepções – Professor Mestre Víctor César da Silva Nunes
Por que (não) ensinar gramática na escola – Sírio Possenti

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