Posts Tagged 'norma padrão'

Erro? Podemos dizer que alguém fala errado e por quê?

Você já pensou na força que as palavras erro e errado possuem? O que pensa uma criança na escola que ouve o professor repreendê-la por falar “errado”? Será que realmente está errado?
Na verdade, a Gramática Tradicional gerou uma noção folclórica de erro.  Para a gramática e para muitos gramáticos, tudo o que não estiver de acordo com a gramática normativa é errado .
É interessante nos lembrarmos de um exemplo que o lingüista Marcos Bagno usa e que cabe muito bem para explicar a noção de erro . Ele compara a gramática tradicional a um sapatinho de cristal.  O que muitos gramáticos querem é que as pessoas usem o sapatinho de cristal para tudo: correr, ir ao mercado, ir à praia e para todo o resto . O mesmo se aplica à gramática, o que se quer é que as pessoas falem todo o tempo de acordo com suas regras e normas, regras essas que muitas vezes não cabem para o local e a situação em que estamos . Pois bem, o grande problema com essa noção ultrapassada de erro é que, como os estudos lingüísticos modernos têm revelado, simplesmente não existe erro em língua . Existem, sim, formas de uso da língua diferentes que divergem da tradição gramatical.
Sendo assim, a criança que o professor repreende por falar errado, na verdade só está usando uma variedade lingüística diferente da variedade padrão . Naturalmente não estamos querendo dizer que não se deva ensinar o padrão da língua . Queremos apenas enfatizar que a linguagem da criança precisa ser respeitada e que, na escola, ela tenha acesso à norma padrão de maneira crítica.

Fonte: Português ou Brasileiro: um convite à pesquisa – Marcos Bagno

linguaportuguesa@furb.br
(47)3321-0600

Norma Padrão X Lingüística

A Lingüística é uma ciência recente e pouco conhecida, a ciência da linguagem.
É importante lembrar que a norma padrão foi imposta pensando-se numa pequena elite de falantes considerados cultos.
Mas quando a gramática e a norma padrão foram implantadas não foi levado em consideração que a língua muda muito rapidamente e, por isso, a gramática não consegue (ou não quer) acompanhar essas mudanças. Para estudar esse foco, existe uma ciência maior, uma ciência chamada lingüística. Essa ciência explica as mudanças e as diferenças na língua falada, sim, diferenças e não erros, como as gramáticas se limitam a enxergar.
É muito comum perceber essas diferenças, dentro de um único estado, dependendo da região, a forma de falar muda. Por exemplo: No extremo oeste catarinense os falantes utilizam a variedade bergamota para referir-se a tangerina que conhecemos aqui. Sem contar que, ao encontrarmos um falante daquela região, percebemos logo, pela forte marcação no final das palavras. Como: leite em vez de leiti, quente em vez de quenti. As variações, como essa da regionalidade,  são muitas e podem ocorrer outras por tantos outros motivos – grupo social, grau de escolarização do falante, da idade, entre outros. Por isso afirmar que alguém fala errado e que não sabe português é uma forma de preconceito, mais claramente preconceito lingüístico. Isso não nos desobriga de saber adequar a nossa linguagem ao lugar em que estamos (ou seja, uma fala formal e informal) que também é muito importante saber.

linguaportuguesa@furb.br
(47)3321-0600