Posts Tagged 'linguagem'

Como nascem as gírias?

As gírias são palavras que acabam ganhando um jeito “novo” de serem chamadas e reconhecidas.  Vários são os modos pelos quais as gírias se formam e são introduzidas no cotidiano social.  Vejamos alguns deles:  O jargão é a linguagem técnica de uma determinada área profissional, seja da economia, da medicina ou outras.  Essa linguagem contribui para o surgimento de gírias, pois cada profissional usa palavras próprias de sua temática, de seu trabalho, que pessoas leigas geralmente desconhecem.  Já os ditados, expressões populares e regionalismos, expressam a cultura de cada povo e grupo social, introduzindo-a na linguagem cotidiana.  As gírias nascem também por influência dos modismos que são veiculados na tevê, especialmente na área da publicidade.  As gírias em geral são facilmente entendidas, pois são introduzidas gradualmente em nosso meio.  No entanto, para pessoas que não estão habituadas a usar determinadas variedades, o significado de algumas gírias pode ser difícil de ser interpretado.  Acompanhe conosco este exemplo dito por um jovem: Vou mandar um “torpedo” para uma “mina”!  Imagine que reação poderia ter uma pessoa que não conhece essa variedade, ao ouvir falar em torpedo e mina.  Nessa frase, torpedo significa mensagem e mina significa menina, moça.  As gírias servem, de certa forma, para personalizar o jeito como chamamos algo, deixando-o na “moda”. Elas chegam como uma novidade, transformam-se em expressão corriqueira e por fim algumas acabam sendo incorporados pelo dicionário, para não caírem no total esquecimento.
Fonte: http://www.overmundo.com.br – Autor: Antonio Brás Constante

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Gírias antigas X atuais

Quem nunca fez uso de gírias?  Vamos procurar entender como surgem as gírias e que função elas têm na comunicação.
Gíria é uma expressão que, segundo o dicionário Houaiss, significa linguagem informal caracterizada por um vocabulário rico, passageiro e temporário.  É um dialeto usado por determinado grupo de pessoas que busca se destacar através de características particulares e marcas lingüísticas, funcionando como um mecanismo de integração dos membros do grupo e como exclusão dos que não pertencem a esse grupo.  Justamente por seu caráter temporário, muitas gírias já foram usadas no Brasil, mas são, hoje, pouco conhecidas entre as gerações mais jovens.  Isso acontece, pois a língua muda, se transforma, surgem novas palavras e outras deixam de ser usadas.  Algumas gírias foram substituídas, outras assumiram um novo significado.  Vejamos alguns exemplos de gírias antigas e de gírias novas que as substituíram: Pão, Broto, Chuchu já foram gírias utilizadas para elogiar a beleza de um rapaz ou de uma moça.  Hoje, os jovens usam gato gata, gatinho gatinha.  Outras gírias e expressões, com o passar do tempo, adquiriram um novo significado, um outro sentido.  Vejamos alguns exemplos.  O significado da palavra balada foi invertido.  Tradicionalmente, “balada” era uma palavra que se referia tanto a uma música lenta quanto a uma história triste. Em meados de 1997, a “mídia dance” começou a denominar “balada” uma festa moderna ou qualquer festa noturna dos jovens atuais.  O mesmo aconteceu com a palavra “babado”, que era tradicionalmente utilizada para designar “problema” e hoje, passou a ser usada com o sentido de “fofoca, notícia”.

Fontes: Dicionário Eletrônico Houaiss.

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Gerúndio – o que é?

A seguir vamos estar apresentando mais um fenômeno da nossa língua. Vamos estar mostrando… Você estranhou nosso início de programa? Ou você não percebeu que fizemos uso do gerúndio? É muito comum ouvirmos as pessoas usarem essa forma do verbo, em vários lugares, como empresas, telemarketing, sala de aula, entre outros. Mas como isso começou e por quê?
Na verdade, parece que o gerúndio começou a ser empregado no português do Brasil por contaminação da sintaxe inglesa. E, pelo que se sabe, tudo teve início com os serviços de telemarketing.  As pessoas traduziam de forma equivocada o inglês e acabaram passando essa forma de falar para todos com quem conversavam.  Afinal, se há algo que pega fácil é o gerúndio.
Mas falemos do uso do gerúndio no português.  Segundo a gramática normativa, a função do gerúndio é dar idéia de continuidade de uma determinada ação, como no exemplo:
Eles estão trabalhando na construção.
Agora retomemos a frase do início do programa: Vamos estar apresentando mais um fenômeno da nossa língua.  Nesse caso, não há necessidade do gerúndio, pois não há essa idéia de continuidade.  Poderíamos simplesmente dizer: Vamos apresentar mais um fenômeno da nossa língua.
Na verdade, não há nenhum pecado em aderir à moda do gerúndio, mas podemos empregar a forma que está consagrada no português para sermos mais objetivos e descomplicados.  Quanto ao texto escrito, não é aconselhável o uso contínuo e exagerado do gerúndio, pois pode prejudicar a estética do texto e torná-lo muito cansativo para o leitor.

Fonte: http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=gramatica/docs/gerundio

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Linguagem da Internet

Há um assunto muito veiculado pela mídia e que vem preocupando pais e professores de língua portuguesa: a linguagem da internet.
Linguagens são códigos, e com eles nos comunicamos . Temos a língua de sinais, LIBRAS, dos surdos, os jargões dos médicos, dos advogados, dos biólogos, entre outros. E agora surgiu uma nova linguagem: a da internet, já chamada de internetês. Essa nova forma de se comunicar através dos chats, MSN e blogs começou a preocupar os gramáticos e defensores da língua quanto ao uso dessa linguagem abreviada e repleta de ícones (emoticons) em textos escritos formalmente. No entanto, esse receio parece infundado, pois o internetês, além de ser uma forma ágil, prática e econômica de comunicação, não vai substituir a escrita tradicional, que se usa na escola e em outras esferas sociais. A comunicação digital não afeta a essência da língua, pois, apesar de a linguagem mexer com a ortografia, a gramática se preserva. A linguagem é a roupa da mente: quando falamos com nossos amigos fazemos um determinado uso; já em uma entrevista de emprego ou em uma apresentação de trabalho, por exemplo, adotamos outro jeito de falar, mais formal. E assim também acontece com a internet. Além disso, estudos têm mostrado que quanto mais recursos lingüísticos dispomos, melhor os usamos em cada ocasião. Por isso, é importante que os professores instruam os alunos a usar essa ferramenta em situações adequadas. Como lembra a escritora Lya Luft, em seu artigo publicado na Revista Veja: “É preciso dar uma chance às novidades e inovações, em lugar de criticar (…) como se tudo o que é novo fosse primariamente mau”.

Fonte: Revista Veja, 12 de setembro de 2007.

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Lingüística

Já explicamos que a lingüística surgiu para mostrar que existem explicações fundamentadas, científicas, para certas variações de linguagem, que a gramática normativa trata como erro.  Pois bem, é importante saber, também, que uma das principais inovações introduzidas pela Lingüística foi atribuir à língua falada a importância que sempre lhe tinha sido negada pela Gramática Tradicional. A língua falada é a verdadeira língua natural, a língua que cada pessoa aprende com sua mãe, seu pai, irmãos, na sociedade etc . Essa sim é a língua viva em constante ebulição, em constante transformação.  A língua falada é um tesouro, em que se podem encontrar coisas muito antigas, mas também muitas inovações, resultantes das transformações inevitáveis por que passa tudo que é humano, e, como diz o lingüista e professor da Universidade de Brasília, Marcos Bagno, “nada mais humano do que a língua” .
É importante dizer que a lingüística não veio para tomar o lugar da gramática normativa, pois se sabe que a gramática tem um papel fundamental na história da humanidade, mas ela será sempre secundária, como sempre foi, afinal a língua falada surgiu muito antes da língua escrita e isso deve ser considerado e sempre lembrado .Nosso objetivo aqui é justamente apresentar essa nova ciência a você, às pessoas em geral, afinal ela é pouquíssimo divulgada pela mídia.  Precisamos saber que, além da gramática normativa, existe uma ciência específica da linguagem e que explica as variações existentes na fala.
Se você tiver mais interesse nessa nova ciência, a lingüística, ou em qualquer outro assunto relacionado à língua, entre em contato conosco.

Fonte: Português ou Brasileiro: um convite à pesquisa – Marcos Bagno

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Todos que falam SABEM falar

Há um preconceito que já está arraigado na maioria dos falantes, o preconceito lingüístico. Quantas vezes ouvimos dizer que muitas pessoas não sabem falar?
Se formos analisar a fundo essa afirmação, notaremos que isso é um grande equívoco.
O que acontece, na verdade, é que os grupos que falam uma língua de uma determinada maneira, em geral, julgam a fala dos outros a partir da sua e acabam considerando que essa diferença é um defeito ou um erro. Daí pensarmos, geralmente, que os outros não sabem falar. Ou, ainda pior, acabarmos convencidos de que nós não sabemos falar, se falamos de uma forma um pouco diferente daqueles que são para nós os modelos de comportamento lingüístico. O preconceito é muito maior e pior quando se refere a uma mesma língua, do que na comparação de uma língua com outras. Costumamos aceitar que quem fala outra língua fala diferente, mas não aceitamos que os que falam (ou deveriam falar) a mesma língua falem de maneira diferente. Mas se voltarmos à questão do início do programa, chegaremos a uma conclusão óbvia: todos que falam sabem falar. Pode até ser que as pessoas falem de formas diferentes e que certas características do modo de falar dessas pessoas pareçam desagradáveis ou engraçadas, mas isso não quer dizer, de maneira nenhuma, que não sabem falar. Afinal as pessoas falam o tempo todo, mesmo que sejam crianças, mesmo que não tenham escolaridade, todos falam e são compreendidos, portanto sabem português e sabem falar. É claro que falarão como se fala nos lugares em que eles nascem e vivem, e não como se fala em outros lugares.
O importante é conseguirmos compreender os fenômenos lingüísticos e não apenas julgar de forma preconceituosa.

Fonte: Por que (não) ensinar gramática na escola – Sírio Possenti

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Existem línguas fáceis ou difíceis?

Todos já ouviram ou, até mesmo, disseram que o português é uma língua muito difícil e que outras línguas são mais fáceis. Mas será que isso é realmente verdade?
Na realidade, nenhuma língua é mais fácil ou mais difícil. Ouvimos diariamente, principalmente alunos e ex-alunos justificando seu mau desempenho na escola com desculpas como: “Também, que língua difícil o português!  Como tem regras!  E as exceções, então!”. Essas afirmações são equivocadas, pois nenhuma língua tem um número de regras muito diverso de outra. O português é uma língua tão fácil que qualquer criança de 3 anos é capaz de se comunicar muito bem, assim como as crianças de 3 anos que nascem na China, no Japão, na Alemanha e assim por diante. E ao mesmo tempo é tão difícil que os gramáticos e lingüistas não conseguem explicá-la na sua totalidade, e o mesmo vale para o chinês, o japonês, o alemão e assim por diante. A questão é exatamente igual para cada país e para cada língua. Não devemos confundir capacidade ou dificuldade de aprender uma língua com a de aprender a escrever segundo determinado sistema de escrita. Se não há línguas mais simples do que outras, as conclusões são óbvias: 1º. não é mais difícil aprender uma língua do que outra e 2º. quem conhece uma língua não é nem mais capaz nem mais incapaz do que quem conhece outra. É importante lembrar que as pessoas, ao aprenderem uma língua estrangeira podem ter mais dificuldade em uma do que em outra, mas isso não quer dizer que uma língua é mais difícil que a outra, mas sim que o falante tem mais facilidade para aprender uma determinada língua.

Fonte: Por que (não) ensinar gramática na escola – Sírio Possenti

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